terça-feira, 21 de julho de 2009

rasgaram o seu cetim azul com dentes afiados.
enquanto ela bailava no salão envolta pelo olhos alheios cintilantes.
nunca rasgou o cetim de alguém.
e apesar de saber que as pessoas possuem dentes como facas,
achou que nunca teria seu cetim rasgado com tanta veemência.

"linhas, costuras pra que te quero!?"
agora é hora de ver se ela sabe costurar de verdade.

sábado, 27 de junho de 2009

anatomia de um mo(vi)mento II

olhos percebem olhos
e o sorriso vem aos lábios,
involuntário
braços se estendem ao infinito
pernas entram na dança do correr e saltitar
o corpo se lança ao estimulo
mãos se entrelaçam um no outro

o abraço se faz

quarta-feira, 24 de junho de 2009

a
folha
ca
í
da
chora o outono do ano pas s a d o

quarta-feira, 17 de junho de 2009

olhos que pedem
e perdem
de novo o novo
finge que ouve fala
adormece
esquece
por si sol

domingo, 7 de junho de 2009

eu beberia o mundo inteiro num gole só
tamanha é minha sede de infinito

sábado, 6 de junho de 2009

preciso




dos ouvidos bem abertos pra minha voz,
das bocas pra conselhos,
dos olhos conhecedores da minh'alma,
de silêncios regados de carinho
da velha cumplicidade absorta no ar

[des]encontrada
impaciente por [re]encontros
aqui
eu
vocês


quinta-feira, 4 de junho de 2009

etecéteras

Ventanias, grandes tempestades, deixo pro tempo que tem competência. Dizem que quem colhe uma semeia a outra. Não acredito não. Muita audácia dessa gente achar pode. Não quero o mar inteiro, em um copo d'água já consigo mergulhar. Um olhar, dois, três. Uma infinidade deles, eu absorvo. E devolvo também. Palavra é que é abstração. Roda, roda em nossa mente, e se esvai. Mas, vai pra onde?! Pra onder der no telhado de alguém. Não precisa ser em um pensamento que tá aqui diante dos olhos. Pode ser lá na lua também. É, no telhado do coelho ou do cavalo de São Jorge. Por que tem gente que vê coelho, mas tem gente que vê cavalo a galope. Acho que é por isso que ela corre daquele jeito. Tem jeito não, a mãe já falou que um dia cai. Mas se caísse, cairia bem quentinha no meu travesseiro. Eita, lêlê! Não sei se travesseiro guarda mesmo o sonho da gente não. O meu é fininho. Não tem quem diga. Mas vai saber né?! Se for feito de algodão, pode até ser. Algodão é uma coisa engraçada. Dá no céu e dá no chão. O céu pode até ser longe, mas com uma escada eu creio que a gente põem a mão. Longe mesmo é o horizonte. Sei não, mas acho que um dia chego lá.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Que livro você é?

foi o que eles disseram. e eu fiquei feliz em ouvir

Antologia Poética -

Carlos Drummond de Andrade

"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.

"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.



sexta-feira, 15 de maio de 2009

o Sol amarelo
pintou a Lua prata
de vermelho

a manhã amanheceu sorrindo

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ana


Ana saía todos os dias naquele mesmo horário para as aulas de piano. Era o momento mais tranquilo e sereno que conseguia ter em seu dia atribulado. Quando chegou ao saguão estranhou todo aquele silêncio, como uma escola de música poderia estar tão muda?! Havia somente ela, o piano, a escuridão no salão, e o silêncio. O piano estava a implorar por um som, e Ana como o entendia perfeitamente, sentou-se ao banquinho, estalou os dedos como de costume e pôs-se a tocar. Tocou uma valsa lenta, uma modinha, e até arriscou um clássico. Quando os seus dedos pararam de tocar as teclas, Ana as encarou e começou a vê-las de uma forma como nunca as tinha visto. Pensou em todas as pessoas que sentavam ali naquele mesmo banquinho, para tocar aquele mesmo piano, mas as melodias que entoavam não eram as mesmas, nem a forma como acariciavam as teclas. Pensando nisso veio a sua mente a ideia de que nada ali era mais o mesmo, como achara antes a olhos vistos. Não era o mesmo banquinho, nem o mesmo piano, nem a atmosfera era a mesma, pois haviam sido modificados por todos que ali estiveram. A partir do momento em que ela se sentou, estalou os dedos, tocou nas teclas do instrumento, e este por sua vez produziu sons tão distintos, modificou para sempre tudo naquele lugar, até a atmosfera que deixou de ser silenciosa e passou a ser sonora, nada permaneceu do mesmo modo, tudo mudava a cada instante, era um constante fluir.


na vitrola: 3namassa - na confraria das sedutoras