quarta-feira, 11 de novembro de 2009

é hora de silenciar-se

isso não é difícil
torna-se quando, lá dentro, tudo pulsa com vigor extremo
enquanto cá fora os olhos só querem o verde e um girassol

terça-feira, 3 de novembro de 2009

No solado das botas estão as esperanças dele. Sem saber que estão lá, fica mais fácil. Assim ele não pode joga-las fora. Por que se soubesse já teria feito. Ele diz que "do que adianta ter um relógio se não pega mais corda?!". Pra ele tudo é uma questão de tempo. Ou pára de funcionar, ou vai embora, ou deixa de existir. As coisas que se vão dão lugar as lembranças, as vezes persistentes, as vezes vagas. Mas, tudo chega a um fim derradeiro. O tempo foi realmente importante pra ele. Parou suas pernas. Dia-a-dia pára sua memória. Só que a esperança continua lá, presa no solado das botas.
E vai continuar pra sempre...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Coitado do passado
sempre foi os olhos do futuro

Mesmo com lentes desfocadas,

não merecia o escuro
de tudo que é
grandioso
e
imenso
eu
só quero mesmo
o
infinito

sábado, 12 de setembro de 2009

além dos teus olhos
só vejo o mar aberto
e nenhum barco pra até lá chegar

faz do porto tranquilo
um remoto amanhã

balança como as ondas
meus pensamentos
fazendo da suave brisa
um temporal inteiro

debruça-te sobre a minha pele
e faz dela tua janela para o horizonte

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

ela queria...

pescar o sol com a linha do horizonte
jogar o anzol, esperar o seu nascer
e quando ele tivesse mordido a isca, puxar
depois guardar num cesto
fazer o dia renascer quando bem quisesse

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O mês tá indo embora e vai levando com ele
as promessas que ela fez sem cumprir.

Na vitrola Zeca Baleiro diz
"não quero medir a altura do tombo,
nem passar agosto esperando setembro".

Ouvir ela até ouve, mas não toma pra si.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"e eu, que estou bem com a vida,
creio que para saber de felicidade
não há como as borboletas e as bolhas de sabão,
e o que se lhes assemelhe entre os homens."

[Nietzsche]


na vitrola: mama cadela - em busca da verdade


domingo, 9 de agosto de 2009

Imóvel. Inerte. Parado. Aquele órgão que pulsava constante dentro deles parecia que assim estivera. As leis corpóreas haviam se modificado a tal ponto que havia mesmo acontecido? Talvez, por um breve instante. Foi logo após o momento em que ela colocou a mão sobre a caixa que guardava seu órgão vital e disse-lhe “é seu, todo seu”. Arrancando com veemente força de dentro de si, passava a estar agora em suas mãos, coberto por músculos, pingando o liquido venoso que também por seu corpo transitava. De mãos estendidas em gesto de oferta repetia-lhe “é seu”. Foi nesse breve instante que ele sentiu o órgão similar aquele que via em sua frente parar. Ideias imóveis. Corpo sem substancia Abruptamente, como quem abre afoito uma porta de emergência, abriu sua caixa torácica e o tirou de lá. Novamente através de um movimento repentino depositou-o na cavidade torácica dela. Um diante do outro viam, absortos no silêncio, o pulsar do órgão. “Sempre lhe pertenceu”, disse ele. Com a cautela proveniente de sua natureza feminina, ela levou seu órgão ainda quente ao vazio corpo e o depositou. Agora o pulsar em ambos era frequente.
Ao abrirem os olhos ao mesmo instante, quase que involuntariamente, se olharam. Não haviam marcas em seus corpos e o lençol continuava alvo. Voltaram a dormir.

quarta-feira, 29 de julho de 2009