terça-feira, 20 de outubro de 2009

Coitado do passado
sempre foi os olhos do futuro

Mesmo com lentes desfocadas,

não merecia o escuro
de tudo que é
grandioso
e
imenso
eu
só quero mesmo
o
infinito

sábado, 12 de setembro de 2009

além dos teus olhos
só vejo o mar aberto
e nenhum barco pra até lá chegar

faz do porto tranquilo
um remoto amanhã

balança como as ondas
meus pensamentos
fazendo da suave brisa
um temporal inteiro

debruça-te sobre a minha pele
e faz dela tua janela para o horizonte

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

ela queria...

pescar o sol com a linha do horizonte
jogar o anzol, esperar o seu nascer
e quando ele tivesse mordido a isca, puxar
depois guardar num cesto
fazer o dia renascer quando bem quisesse

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O mês tá indo embora e vai levando com ele
as promessas que ela fez sem cumprir.

Na vitrola Zeca Baleiro diz
"não quero medir a altura do tombo,
nem passar agosto esperando setembro".

Ouvir ela até ouve, mas não toma pra si.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"e eu, que estou bem com a vida,
creio que para saber de felicidade
não há como as borboletas e as bolhas de sabão,
e o que se lhes assemelhe entre os homens."

[Nietzsche]


na vitrola: mama cadela - em busca da verdade


domingo, 9 de agosto de 2009

Imóvel. Inerte. Parado. Aquele órgão que pulsava constante dentro deles parecia que assim estivera. As leis corpóreas haviam se modificado a tal ponto que havia mesmo acontecido? Talvez, por um breve instante. Foi logo após o momento em que ela colocou a mão sobre a caixa que guardava seu órgão vital e disse-lhe “é seu, todo seu”. Arrancando com veemente força de dentro de si, passava a estar agora em suas mãos, coberto por músculos, pingando o liquido venoso que também por seu corpo transitava. De mãos estendidas em gesto de oferta repetia-lhe “é seu”. Foi nesse breve instante que ele sentiu o órgão similar aquele que via em sua frente parar. Ideias imóveis. Corpo sem substancia Abruptamente, como quem abre afoito uma porta de emergência, abriu sua caixa torácica e o tirou de lá. Novamente através de um movimento repentino depositou-o na cavidade torácica dela. Um diante do outro viam, absortos no silêncio, o pulsar do órgão. “Sempre lhe pertenceu”, disse ele. Com a cautela proveniente de sua natureza feminina, ela levou seu órgão ainda quente ao vazio corpo e o depositou. Agora o pulsar em ambos era frequente.
Ao abrirem os olhos ao mesmo instante, quase que involuntariamente, se olharam. Não haviam marcas em seus corpos e o lençol continuava alvo. Voltaram a dormir.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

terça-feira, 21 de julho de 2009

rasgaram o seu cetim azul com dentes afiados.
enquanto ela bailava no salão envolta pelo olhos alheios cintilantes.
nunca rasgou o cetim de alguém.
e apesar de saber que as pessoas possuem dentes como facas,
achou que nunca teria seu cetim rasgado com tanta veemência.

"linhas, costuras pra que te quero!?"
agora é hora de ver se ela sabe costurar de verdade.

sábado, 27 de junho de 2009

anatomia de um mo(vi)mento II

olhos percebem olhos
e o sorriso vem aos lábios,
involuntário
braços se estendem ao infinito
pernas entram na dança do correr e saltitar
o corpo se lança ao estimulo
mãos se entrelaçam um no outro

o abraço se faz